Agentes de IA: o que muda quando a IA deixa de responder e passa a agir

Os agentes já completam tarefas de várias etapas, mas ainda falham muitas. O que dizem os estudos sobre a sua fiabilidade, e o que isso implica para quem os quer pôr a trabalhar.

Durante dois anos, a IA nas empresas foi sobretudo uma janela de conversa: fazia-se uma pergunta, recebia-se um texto e alguém o copiava para outro sistema. Em 2026 a pergunta passou a ser outra: o que consegue a IA fazer sozinha, dentro dos sistemas da empresa. É a isto que se chama um agente.

O que os dados dizem sobre a capacidade

A medição mais citada vem do METR, um instituto independente que avalia modelos de IA. Em vez de perguntar se um modelo acerta numa pergunta, mede a duração das tarefas que consegue completar, expressa no tempo que um profissional humano levaria a fazê-las. A conclusão é clara: há cerca de seis anos que essa duração duplica aproximadamente a cada sete meses (Kwa et al., 2025).

A duração das tarefas que a IA consegue completar tem duplicado a cada cerca de sete meses. A medição usa, no entanto, um limiar de 50% de sucesso.

O pormenor importa. O limiar usado é o de completar a tarefa em metade das tentativas. Um sistema que acerta metade das vezes é impressionante num laboratório e insuficiente numa operação.

O que os dados dizem sobre a fiabilidade

Investigadores da Carnegie Mellon construíram uma empresa de software simulada, com colegas virtuais, documentos, mensagens e ferramentas reais, e puseram agentes a trabalhar lá dentro. O melhor agente testado completou 30% das tarefas de forma autónoma (Xu et al., 2025). As tarefas simples eram muitas vezes resolvidas; as longas e com várias dependências, raramente.

Do lado do mercado, a Gartner prevê que mais de 40% dos projetos de IA com agentes sejam cancelados até ao fim de 2027. Aponta três motivos: custos que crescem, valor de negócio pouco claro e controlos de risco insuficientes (Gartner, 2025). É uma previsão de analista, não uma medição, mas descreve bem o que acontece quando um agente é lançado sem âmbito nem regras.

O que isto significa na prática

Juntas, estas três fontes contam uma história coerente. Os agentes evoluem depressa e já fazem trabalho útil de várias etapas. Mas a fiabilidade cai com a duração e a complexidade da tarefa. Daqui resultam três regras de desenho:

  1. Tarefas curtas e bem delimitadas primeiro. Por exemplo, conciliar uma guia com uma encomenda, preparar a fatura de uma viagem ou identificar o que falta numa participação. Nestas tarefas a taxa de sucesso é alta e o erro é fácil de detetar.
  2. Nas ações sensíveis, decide uma pessoa. O agente reúne a informação e propõe; uma pessoa aprova pagamentos, alterações a contratos e comunicações a clientes.
  3. Saber parar. Quando a informação está incompleta ou contraditória, o agente passa o caso a uma pessoa, com o contexto reunido. Um agente que reconhece quando não sabe é mais fácil de supervisionar e merece mais confiança.

A diferença entre responder e agir

Um assistente poupa minutos a quem pergunta. Um agente bem desenhado tira uma tarefa inteira da lista de alguém. O que separa os dois é sobretudo o desenho: o âmbito, as permissões, os pontos de aprovação e o registo de cada passo. Estas decisões respondem também a um dos motivos de cancelamento que a Gartner aponta, os controlos de risco insuficientes.

Fontes

  1. Kwa, T., West, B., Becker, J. et al. (METR) (2025). Measuring AI Ability to Complete Long Tasks. METR.
  2. Xu, F. F., Neubig, G. et al. (2025). TheAgentCompany: Benchmarking LLM Agents on Consequential Real World Tasks. arXiv 2412.14161 (preprint).
  3. Gartner (2025). Over 40% of agentic AI projects will be canceled by end of 2027 (comunicado de imprensa, 25 de junho de 2025, citado por W.Media). W.Media.

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